
Deputado denuncia que processos desapareceram
Deputado Edmilson Rodrigues (PSol) denunciou que 53 processos licitatórios sumiram da sala da Comissão Especial de Licitações de Obras (Celo) da Assembléia Legislativa do Pará. Arquivos contidos no computador do referido grupo técnico também foram apagados. O presidente do Poder, deputado Manoel Pineiro (PSDB), informou que ambos os problemas, que prejudicam a investigação sobre as fraudes no Legislativo, estão sendo averiguados.
Da tribuna, Edmilson Rodrigues cobrou explições da presidência por causa dos prejuízos que a perda de documentos administrativos pode causar às investigações das fraudes ocorridas na Alepa antes de 2010, ano administrativo em análise pelo Ministério Público Estadual.
Ele levantou a suspeita de queima de arquivo porque o suposto sumiço ocorre em meio à denúncia feita pelo MPE de que 105 processos licitatórios realizados em 2010 foram fraudados.
Para o psolista, o fato se torna ainda mais estranho ao se observar que a comissão de licitações responsável pelos processos classificados pelo MP como fraudados é a mesma que organizava os processos agora tidos como desaparecidos.
Uma cena que dificilmente será vista no Brasil, que disputa o título de a capital mundial da impunidade.
Hoje, no Cairo, os egípcios assistiram, pela televisão, a imagem do ex-ditador Hosny Mubarack atrás das grades.
Só para lembrar, Mubarack foi deposto em 11 de fevereiro. Permaneceu no poder durante ininterruptos 30 anos e caiu depois de um mega protesto popular pelo fim da corrupção e pela volta da democracia.
O Exército não reprimiu os protestos e retirou o apoio que dava ao ditador. A violência contra os manifestantes ficou por conta da guarda nacional. A pesada repressão resultou em 800 mortes. E estima-se que 6 mil egípcios que participam dos protestos saíram feridos.
Um forte esquema de segurança foi montado para assegurar a volta de Mubarack ao Cairo e a sua apresentação, detido, perante a Justiça.
Na Justiça, Mubarack responde, com os dois filhos, a acusações por crimes de corrupção e de haver mandado reprimir manifestantes contra o seu regime.
As telas das televisões mostraram, para todos o Egito, um Mubarack pálido.
Perante o juiz Ahmed Rifaat, que promete um julgamento justo e público, Mubarack limitou-se a negar as acusações. Foi a primeira aparição pública de Mubarack depois da sua destituição do cargo. Preso no balneário que lhe servia de residência de verão, Mubarack restou internado em razão de dois derrames cerebrais, segundo noticiado. Para muitos, o ditador de 80 anos procurou, com a internação, adiar as audiências e baixar a pressão popular pela sua condenação à pena de prisão em regime fechado.
Mubarack e os dois filhos, Alaa e Gamal, apareceram com roupas brancas.
Branco é o uniforme usado pelos presos ainda não condenados.
De uniforme azul, pois já condenado, apareceu o ex-ministro do Interior (Segurança pública interna) Habib al Adli.
Por corrupção, Habib já recebeu pena de 12 anos de prisão fechada.
Os dois filhos de Mubarack repondem a processos por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e abuso de poder. Eles estão presos no cárcere de Tora e restaram deslocados ao Cairo apenas para a audiência.
A televisão egípcia, que transmite em tempo real a sessão do Tribunal, mostrou as celas onde os acusados acompanham a audiência.
Na audiência de hoje estavam presentes dez dos 11 réus acusados.
O ausente, que fugiu para a Espanha, é Husseis Salem.
Salem foi o chefe do serviço secreto no governo dea Mubarack .Durante a ditadura, tornou-se um dos homens mais ricos do Egito, com rede de hotéis de luxo e uma sociedade de fornecimento de gás.
Pano Rápido. No Brasil, o presidente Collor de Mello respondeu a processo criminal no Supremo Tribunal Federal em liberdade. Collor acabou absolvido. Cassado pelo Congresso, ele retornou depois do período de suspensão dos direitos políticos e se elegeu senador por Alagoas. No senado, divide com Renan Calheiros a representação do estado.
As dificuldades deixadas pelos antecessores e sua composição heterogênea ainda não permitiram que o governo Simão Jatene imprimisse sua marca. A previsão é de que este ano seja consumido na arrumação da casa. Mas logo em seguida haverá nova eleição. A perspectiva é crítica.
O primeiro bimestre de 2011 acabou e o governo Simão Jatene, do PSDB, a rigor, ainda não começou. O governador pode alegar que nem poderia ter começado para valer, conforme ele pretendia: a herança maldita deixada por Ana Júlia Carepa, PT, vai pesar pelo menos durante todo este ano. O acervo de contas a pagar, de compromissos pendentes, de desorganização na máquina estadual e outros complicadores resultantes de uma das piores administrações que o Estado já teve absorverão toda a energia e inventividade da atual gestão. Só em 2012 ela poderá mostrar sua face e colocar em prática os seus planos e projetos.
O problema é que 2012 será mais um ano eleitoral: estarão em disputa as prefeituras. Mais uma vez, Belém será um campo de batalha. O conteúdo dos candidatos em potencial não traz novidade, mas a disputa deverá ser bem maior do que nos últimos anos. O PSDB dispõe de alternativas expressivas para se contrapor a nomes como Arnaldo Jordy, José Priante, Edmilson Rodrigues, Paulo Rocha (quem sabe, de novo), Ana Júlia Carepa, mas elas poderão se desgastar até a campanha. É o caso de Zenaldo Coutinho, que ocupou a estratégica chefia da Casa Civil, para se beneficiar dos dividendos de estar tão próximo do governador, mas tem se desgastado pela sucessão de problemas e incidentes ao longo do trimestre.
Descontados os discursos, até agora não foi possível descobrir diferenças entre o derrotado (e desastrado) governo que saiu e o que entrou. Talvez porque o que esteja prevalecendo seja o efeito residual da gestão petista, a opinião pública convive com situações que pouco ou nada diferem da fase anterior. Não só pela “herança maldita”: retomando o estilo que deixou em 2007 para a sucessora, Jatene repete os erros do primeiro mandato.
A começar por manter a rotina desgastante das assessorias especiais do seu gabinete, um sorvedouro de recursos públicos dilapidados para acomodar interesses e servir a acordos políticos - e de outra natureza. Esse setor da administração pública se tornou símbolo do desmazelo e da conivência com o uso doméstico do governo para fins que nada têm a ver com o bem coletivo. Os tucanos garantem que não chegarão ao limite de mais de dois mil assessores especiais, recorde petista, talvez ficando muito aquém. Mas o mecanismo é o mesmo: falta de justificativa para as contratações, sigilo nas informações a respeito e desprezo pela opinião pública.
Embora pagando o preço por suceder um governo fraco, os tucanos podem ter que arcar com um custo muito alto pela vitória, que só foi possível graças a acordos políticos de todos os tipos. Por isso, é visível uma divisão entre uma parte técnica na administração e outra política, com fortes características fisiológicas. Sem um comando competente, capaz de resolver os muitos problemas do governo, Jatene não desfará os nós que herdou. Mas ao ceder parcela considerável do poder a políticos empenhados apenas em obter dividendos pessoais (e com um passado nada recomendável), pode experimentar surpresas desagradáveis.
Uma delas já veio com a acusação de que seu secretário de assuntos estratégicos, o ex-prefeito de Paragominas, Sydnei Rosas, recorreu a trabalho sob condições degradantes em uma fazenda que possuía no Maranhão. A cabeça do secretário esteve prestes a ser colocada numa bandeja, mas parece que ele conseguiu se explicar e superar o problema. Mas pode ser uma vitória parcial. Outras situações semelhantes podem se repetir. Para tentar enfrentá-las, o governador parece estar mais empenhado em negociações de bastidores do que em impor sua figura à frente dessa equipe ainda desencontrada e desigual. O governo, que ainda não começou, pode começar mal.
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