ATENAS (Reuters) - Os navios gregos estavam ancorados e o lixo apodrecia nas ruas de Atenas nesta terça-feira, à medida que trabalhadores tentavam realizar a "mãe de todas as greves", visando parar o país em protesto contra o novo pacote de aumentos de impostos e cortes de salários.
Sindicatos representando cerca de metade da força de trabalho grega de 4 milhões de pessoas convocaram uma greve geral de 48 horas para quarta e quinta-feira, em protesto ao pacote de austeridade que será votado no Parlamento nesta semana.
Uma onda de greves menores nos últimos dias, de grupos como lixeiros, trabalhadores tributários, jornalistas e trabalhadores navais, deu uma prévia sobre o protesto programado, que deverá culminar em uma manifestação na frente do Parlamento.
O protesto, apelidado de "a mãe de todas as greves" pelo jornal Ta Nea, deve ser o maior desde o início da crise financeira dois anos atrás.
O primeiro-ministro, George Papandreou, pede unidade, dizendo que o pacote precisa ser aprovado para permitir que a Grécia saia da crise.
"A nação está em um momento crucial, e temos de estar unidos. Nessa batalha, precisamos de todos", disse ele.
Ferroviários e jornalistas fazem onda de greve na Grécia
Por Gabriel Bueno
Entre os trabalhadores de braços cruzados há ainda advogados e funcionários da Receita. Funcionários públicos ocupam os prédios dos ministérios das Finanças e do Trabalho.
A Grécia anunciou medidas para equilibrar mais seu orçamento. O Parlamento deve discutir o tema durante três dias de debates e a lei com essas medidas deve ser votada na quinta-feira, segundo um funcionário do Legislativo. A aprovação dessa lei é um pré-requisito para o recebimento da próxima parcela da ajuda de 110 bilhões de euros dada ao país no ano passado. Sem a parcela de 8 bilhões de euros, o governo diz que ficará sem dinheiro em meados de novembro.
Amanhã, as duas maiores centrais sindicais - GSEE, do setor privado, e Adedy, do público - convocaram uma greve geral de 48 horas contra as medidas, que deve paralisar o país.
Em um sinal da divisão dentro do governista Partido Socialista, um parlamentar renunciou a sua cadeira na segunda-feira, em protesto contra as medidas de austeridade. Isso não deve, porém, alterar a maioria oficial de 154 dos 300 postos do Parlamento, já que a vaga será preenchida pelo mesmo partido. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.
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