sábado, 22 de setembro de 2012

Gbike, a bicileta do GoogleMais de 22 milhões dos cerca de 117 milhões de crianças da América Latina e do Caribe estão sem ensino ou têm grande probabilidade de deixar a escola, o que na prática equivale a um futuro de exclusão social como adultos.

Essa é a principal conclusão de um novo relatório regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), realizado em parceria com o Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e divulgado nesta sexta-feira pela internet.
O relatório "Terminar a Escola. Um Direito de Crescer, um Dever para Compartilhar" é uma radiografia detalhada dos problemas de escolarização em 31 países da América Latina e no Caribe, com especial atenção a Brasil, Bolívia e Colômbia.
O texto também propõe estratégias para superar essas dificuldades, com a novidade de que não enfocam só a demanda, mas também a oferta educativa.
A ideia central do documento é que "o ensino total, apropriado, sustentável e pleno" é tanto um direito das crianças, como um dever que devem assumir todos os setores e agentes envolvidos de maneira coletiva e articulada.
Mas a escolarização total ainda é um sonho do relatório, que faz parte de uma iniciativa global lançada pela Unicef em 2010 com o lema "Todas as crianças na escola em 2015".
Dos 22,1 milhões de crianças e adolescentes com problemas de escolarização na região, 6,5 milhões não frequentam a escola e 15,6 milhões o fazem, mas se saem mal e têm claros sinais de desigualdade, como dois ou mais anos de atraso escolar.
O relatório levou em conta os perfis dos grupos mais afetados pela exclusão das salas de aula: os indígenas, os afrodescendentes, os portadores de deficiência e os moradores de zonas rurais, assim como as barreiras para conseguir uma educação sustentada e oportuna, e as estratégias para eliminá-las.A educação é estratégica para combater as profundas desigualdades em nossa região. Devemos trabalhar em todos os setores para que todas as crianças e adolescentes possam concluir a escola", diz no relatório o diretor regional para a América Latina e o Caribe da Unicef, Bernt Aasen.
"Para conseguir, é preciso articular os esforços do setor de educação com as iniciativas dos setores de proteção social, saúde e nutrição, e com as famílias e comunidades", acrescenta.
Os autores do relatório concluíram que há muitos "meninos e meninas que entram tarde no sistema educacional, que fracassam repetidamente, não encontram experiências pedagógicas que os permitam desenvolver suas capacidades e são discriminados".
Os dados analisados, por exemplo, demonstram que, em alguns países, a frequência na escola da população em idade de estar no ensino médio é menor que 50% nas áreas rurais.
Também evidenciam que as crianças e adolescentes que trabalham - 10% dos que têm entre 5 e 17 anos de idade na região - faltam mais à escola que seus companheiros e obtêm, em média, entre 7 e 22 pontos menos nas avaliações de qualidade do ensino.
Em relação ao gênero, em determinados contextos são os homens que apresentam taxas mais altas de exclusão, mas em outros, especialmente no ambiente rural ou indígena, são as mulheres.
No relatório se determinam cinco "dimensões" de exclusão escolar na América Latina e Caribe.
]A primeira é a dos menores em idade de receber educação inicial e que não estão na pré-escola ou no ensino fundamental, que somam 1,7 milhão, o que significa 15,7 do total de crianças latino-americanas e caribenhas de 5 anos de idade.
No Brasil, são 832 mil (23,8%), na Bolívia 83, mil (34,2%) e, na Colômbia, 206 mil (23,2%).
A segunda "dimensão" é composta por 2,9 milhões de crianças que não estão nem no ensino fundamental nem no ensino médio, ou porque ingressaram, mas abandonaram (300 mil), ou porque entrarão de forma tardia (1,6 milhão) ou porque nunca entrarão (1 milhão).
Representam 5% do total de crianças em idade de fazer o ensino fundamental e no Brasil somam 686 mil (4,9%), na Bolívia 63 mil (4,5%) e na Colômbia 374 mil (8,5%).
Na terceira "dimensão" há 1,9 milhão de crianças e adolescentes que não estão no ensino fundamental nem no ensino médio, apesar de terem idade para frequentar o ensino médio, e que representam 5,3% do total.
No Brasil, o total de crianças nesse nicho é de 368 mil (2,6 %), na Bolívia, 14 mil (3,1%) e na Colômbia 220 mil (6,3%).
Por último, a quarta e a quinta dimensões correspondem a todos os alunos que estão em risco de abandonar a escola no ensino fundamental e no médio.
São 9,2 milhões de crianças no primeiro caso e 6,4 milhões no segundo, e o relatório ainda adverte que há 14,7 milhões e 8,1 milhões, respectivamente, em risco moderado.
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Paraenses vivem na cidade

Edição de 22/09/2012
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Pnad também revela que população do estado é de 7 milhões. a maioria de cor parda e de pessoas de 0 a 24 anos.
BRASÍLIA, DF
Da Sucursal
Em 2011, a população residente no Pará foi estimada em 7,87 milhões, um aumento de 3% (229 mil) em relação a 2009. Os homens representavam 50,2%% (3,95 milhões) da população e os mulheres, 49,8% (3,92 milhões). Cerca de 70% dos habitantes (5,48 milhões) eram residentes das áreas urbanas do Estado, a maioria (51,3%), do sexo feminino (2,81 milhões) e 48,7% do masculino (2,66 milhões). Já na zona rural residiam 2,39 milhões de pessoas (30% da população do Estado) - 1,29 milhão de homens (53,8%) e 1,10 milhão de mulheres (46,2%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), divulgada, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A cor ou raça predominante no Estado é a parda, que responde por 71,2% da população (5,61 milhões). Em seguida, com 21,2%, aparece os que se denominam brancos (1, 67 milhão); com 6,6%, os da cor ou raça preta (523 mil); com 0,66%, os indígenas (52 mil); e com 0,20%, os da cor ou raça amarela. As pessoas entre 0 e 24 anos de idade correspondiam a 48,9% da população (3,83 milhões), as com idade entre 25 e 59 anos, a 42,9% (3,38 milhões), e as com 60 anos ou mais, 8,2% (647 mil). Em 2009, esses valores eram, respectivamente, 51%, 41,5% e 7,3%.
A região Norte manteve as maiores concentrações nos grupos de idade mais jovens, sendo 57,6% da população com idade inferior a 30 anos. O percentual de pessoas com idade superior a 60 anos é de 7,9%. No geral, são 16,49 milhões de habitantes na região, sendo 8,27 milhões de homens (50,1%) e 8,22 milhões de mulheres (49,9%). A proporção de nortistas que vivem nas áreas urbanas é de 74,6% (12,31 milhões) e de 4,18 milhões (25,4%) no campo. A maioria são da cor ou raça parda (67,8%), branca (23,4%) e preta (6,6%). Já indígenas e amarelos somam 2% da população da região.
Em todo o País, a pesquisa estima, em 2011, uma população de 195,2 milhões, um acréscimo de 1,8% (3,5 milhões) em relação a 2009. As mulheres são a maioria, representavam 51,5% (100,5 milhões) da população e os homens, 48,5% (94,7 milhões). As pessoas entre 0 e 29 anos de idade correspondiam a 48,6% da população e as com 60 anos ou mais, 12,1%. Em 2009, estes valores eram de 50,2% e 11,3%, respectivamente, indicando que prossegue a tendência de envelhecimento da população. Na população feminina, 46,7% tinham entre 0 e 29 anos de idade e, 30 anos ou mais, 53,3%. Já entre os homens, os percentuais foram de 50,5% e 49,5%, simultaneamente. Do total da população, 47,8% (93,3 milhões) era de brancos, 8,2% (16,0 milhões) de pretos, 43,1% (84,1 milhões) de pardos e 1,0% (1,9 milhão) de indígenas ou amarelos.
Mais de 270 mil sofrem com o desemprego
Ainda segundo o Pnad 2011, mais de 270 mil paraenses procuram emprego e não encontram. Cerca de 39% das pessoas com dez anos ou mais de idade que moram no Estado enfrentam portas fechadas na busca por trabalho. A taxa de desocupação no Estado é de 7,2%, superando, inclusive, o índice do Estado de São Paulo, região demograficamente maior do que a do Pará. Pouco mais 50% dos moradores do Estado nortista com mais de uma década de vida estão trabalhando. O percentual é um dos mais baixos do Brasil.
No Pará, dentre as pessoas com emprego, quase um milhão dos cidadãos ganham até R$ 622 e mais de 1,5 milhão trabalham como empregados, contra 82 mil empregadores e pouco mais de um milhão que desenvolvem atividades por contra própria. Dos assalariados, 148 mil chegam a acumular dois ou mais empregos para complementar a renda. Desses, 88 mil estão entre 30 e 49 anos e têm, na maioria dos casos, entre quatro e sete anos de estudo, ou seja, não possuem o ensino médio. Aliás, das 3,5 milhões de pessoas ocupadas, 1,7 milhão não ultrapassou o ensino fundamental.
Com os desocupados o quadro é um pouco diferente. A taxa de desocupação é maior entre as pessoas com mais anos de Estudo, chegando a 10,8% para aqueles com oito a dez anos de estudo, superando o índice nacional de 9,7% e 8,8% para os com 11 ou mais anos de estudo, também indo além da taxa do Brasil, que é de 8,3%. O Estado ainda mantém uma realidade atrasada em relação à equidade de homens e mulheres no mercado de trabalho. Entre eles, 72,5% estão empregados. Já com elas a realidade é um tanto quanto diferente. Apenas 46,6% estão empregadas.
A maioria dos paraenses ocupados mora em região rural, 62,7% deles. O ramo de trabalho que mais ocupa os paraenses é o de serviços, que emprega 37,4% deles; seguido do setor agrícola, que mantém 25,2%; e comércio e reparação (17,8%). Pouco mais de um terço das pessoas em idade ativa contribuem para algum instituto de previdência, no Pará, um dos menores percentuais do Brasil. Enquanto 64,7% não contribuem. Percentual mais alto do que a média do País, registrada em 41,5%. Mais de um milhão dos trabalhadores paraenses trabalha entre 40 e 44 horas semanais.
Cai o número de migrantes, mas maranhenses ainda predominam
Os dados apresentados pelo IBGE mostram que tem diminuído o número de migrantes no Pará. No ano passado, foram identificados 1,32 milhão de pessoas não naturais do Estado, que correspondem a 16,4% da população residente. Em 2009, esse percentual era de 17,4%. A pesquisa também revela que aumentou a proporção de nativos nos municípios do Estado. No ano de 2011, essa proporção foi de 62,7%, enquanto na análise anterior o percentual era de 57,8%.
Os maranhenses continuam respondendo pela maior fatia da população residente nascida fora do Pará. São mais de 529 mil espalhados pelo Estado, correspondente a 41% do total de migrantes. A maioria (52,4%) são homens (272 mil maranhenses) e vivem nas áreas urbanas do Pará - 386 mil, relativo a 74% dos que vieram do Estado vizinho. Em segundo lugar aparecem 133 mil cearenses, seguidos por 117 mil tocantinenses, 69 mil piauienses, 69 mil goianos, 64 mil baianos, 64 mil mineiros, 39 mil amazonenses, 31 mil pernambucanos, 24 mil paulistas, entre outros.
No geral, o Pará possui moradores de todos os Estados e cerca de cinco mil estrangeiros. No geral, o Distrito Federal é o local do País com o maior número de migrantes, proporcionalmente, com média de 49,6%. O segundo lugar com proporção semelhante é Roraima, com 45,75%. Em São Paulo, Estado mais populoso do País, esse percentual ficou em 23,17%. Em números absolutos, porém, SP supera o DF no total de imigrantes. Lá, eles somam mais de 2 milhões.
Analfabetos somam 13,5%, a maior parte crianças e adolescentes
A pesquisa do IBGE apontou que o desafio do Pará de vencer o analfabetismo está longe de acontecer. Apesar de diminuir em três pontos percentuais a margem de iletrados nos últimos dois anos, o Estado ainda contabiliza 13,5% de pessoas nessa condição. A proporção corresponde a 966 mil analfabetos, sendo que a maioria deles (38%) são crianças e adolescentes com idade entre 5 e 14 anos (374 mil). No universo de pessoas com 15 anos ou mais, essa proporção chega a 592 mil pessoas, sendo 13 mil de 15 a 19 anos; 22 mil de 20 a 24 anos; 33 mil de 25 a 29 anos; 79 mil de 30 a 39 anos; 107 mil de 40 a 49 anos; 123 mil de 50 a 59 anos; e 214 mil, com idade acima dos 60 anos.
Segundo a Pnad 2011, mais da metade (53,4%) dos analfabetos do Pará são homens (516 mil), com idade superior aos 30 anos (264 mil). A incidência é alta tanto meio urbano quanto no meio rural, sendo de 52,5% nas cidades (507 mil) e de 47,5% no campo (459 mil). Nas áreas urbanas, inclusive, o analfabetismo atinge por igual, independente do sexo. São 254 mil homens sem saber ler e escrever e 253 mil mulheres nessa condição. Já na zona rural do Estado, a proporção masculina é bem superior: são 262 mil homens (57%) contra 197 mil mulheres (43%).
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