domingo, 15 de maio de 2011



Assistentes Sociais levam novas perspectivas de vida à população pobre

Cerca de 95 mil assistentes sociais em todo o País, que comemoram seu dia em 15 de maio, atuam em diferentes áreas, públicas ou privadas, nas organizações da sociedade civil e nas políticas públicas. São profissionais afinados com a promoção de direitos e o desenvolvimento da participação cidadã.

Assistentes Sociais levam novas perspectivas de vida à população pobre

13/05/2011 09:25

Cerca de 95 mil assistentes sociais em todo o País, que comemoram seu dia em 15 de maio, atuam em diferentes áreas, públicas ou privadas, nas organizações da sociedade civil e nas políticas públicas. São profissionais afinados com a promoção de direitos e o desenvolvimento da participação cidadã. Em Nova Mutum, cidade a 260 km de Cuiabá, o assistente social Reginaldo Luiz de Oliveira coordena o Cras

Ana Nascimento/MDS
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Denise Colin: "Profissional está afinado com promoção de direitos, participação cidadã e acesso a bens e serviços"
Brasília, 13 - Alegria e orgulho. São estes os sentimentos que movem Janete Soares desde que começou a trabalhar como assistente social em Nova Monte Verde, município a 1.770 km de Cuiabá, em 2004. A então recém formada, vinda do interior de São Paulo, teve a oportunidade de atuar em várias atividades oferecidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) – equipamento público coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) -, como a busca ativa, a revisão do Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) e, principalmente, o contato permanente com famílias em situação de vulnerabilidade social.

“Tenho a honra de ser uma assistente social e de ter trabalhado na ponta, caminhado a pé no meio do mato para encontrar as pessoas, vivendo a realidade local. Passei por todas as etapas necessárias para adquirir experiência e pude me aprimorar. Hoje, contribuo com a construção da política municipal dentro dos parâmetros do Sistema Único de Assistência Social (Suas)”, afirmou. Atualmente, ela é assessora técnica da Secretaria Municipal de Assistência Social de Nova Mutum, cidade a 260 km de Cuiabá.

“Eu amo a minha profissão”. A revelação é do assistente social Reginaldo Luiz de Oliveira, coordenador do Cras da cidade. Reginaldo começou trabalhando na Proteção Social Especial e hoje está na Básica. Aprender cada vez mais é o grande objetivo desse também paulista de Barretos.

“Sempre me identifiquei muito com a área que busca contribuir para a efetivação de direitos e para que as pessoas conquistem o que é delas”, enfatizou Reginaldo. O assistente social avalia que ainda há preconceito em relação à profissão. “Há pessoas que acham que o assistente social é uma moça boazinha que dá cesta básica”, disse.

Dificuldade – Para a secretária Nacional de Assistência Social do MDS, Denise Colin, o preconceito é realmente o principal desafio a ser enfrentado. “A grande dificuldade do profissional ainda é a ausência de reconhecimento de suas atribuições. Para a sociedade em geral, o assistente social é uma pessoa de boa vontade que quer ajudar os mais desprovidos”, reforçou a secretária. De acordo com ela, contudo, a população, com o decorrer dos anos, está mudando esse conceito, em especial no tocante aos usuários, gestores, dirigentes de entidades, conselheiros e profissionais de outras políticas públicas, que acompanham mais de perto o avanço da intervenção dos assistentes sociais nas diferentes áreas.

Denise destacou, ainda, a qualidade do amplo trabalho desenvolvido por esses profissionais. “O assistente social atua nas mais diversas áreas, sejam públicas ou privadas, nas organizações da sociedade civil, nas políticas públicas de educação, saúde, habitação, assistência social, cultura, segurança alimentar e nutricional e vem cada vez mais ocupando estes espaços. É um profissional bastante afinado com todas essas áreas, na medida em que tem, como indicação de seu Código de Ética Profissional, a promoção de direitos, o desenvolvimento da participação cidadã, a viabilização do acesso a bens e serviços, entre outros ”.

Suas – Denise, Janete, Reginaldo e cerca de 95 mil assistentes sociais de todo o País comemoram seu dia no domingo, 15 de maio, com a certeza que exercem a difícil tarefa de levar à população novas perspectivas de vida. Atualmente, a área de assistência social conta com outros profissionais já que todos que atuam nesse campo são considerados trabalhadores do Suas.

O Suas é o resultado de anos de luta da categoria e das organizações socioassistenciais pela implementação dos artigos 203 e 204 da Constituição Federal de 1988, que estabelecem que a assistência social será prestada “a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social”.

História – Executada durante muitos anos por entidades beneficentes, a Assistência Social, após a Constituição de 88, ganha status de política pública. Cinco anos após a promulgação da nova Carta é que foi possível aprovar a Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), determinando que a assistência social integra a seguridade social, junto com a saúde e a previdência. Traduzir esta política em ações só foi possível com a implementação do Suas no Brasil.

No final de 2011 será realizada, em Brasília, a VIII Conferência Nacional de Assistência Social com o tema Consolidar o Suas e valorizar seus trabalhadores. O objetivo da conferência é avaliar a situação atual da assistência social no Brasil e propor novas diretrizes para seu aperfeiçoamento. O evento tratará, também, dos avanços na consolidação do sistema, com a valorização dos trabalhadores e a qualificação da gestão, dos serviços, programas, projetos e benefícios.

“O assistente social sempre foi um profissional que atuou e militou na área, construindo ao longo desses anos o direito à Política Nacional de Assistência Social na Constituição Federal, na Lei Orgânica e, agora, na implantação do Suas”,avalia Denise Colin.
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O Conjunto CFESS-CRESS, a ABEPSS e a ENESSO lançam uma campanha nacional que promete esquentar o debate sobre os cursos de graduação à distância em Serviço Social. Educação não é fast-food pretende chamar a atenção da sociedade, de uma forma provocativa, para a realidade desses cursos, comparando as aparentes facilidades do ensino à distância com um lanche rápido, mas pouco nutritivo.

"A agilidade desses cursos só pode ser garantida porque a graduação é realizada em condições precárias, como mostram os dados do relatório Sobre a incompatibilidade entre graduação à distância e Serviço Social, que embasa a campanha", afirma a presidente do CFESS, Ivanete Boschetti. "Desde 2000, as entidades representativas dos assistentes sociais têm se reunido para debater as mudanças no ensino superior que levam à precarização da formação. É nesse sentido que vimos a público defender a democratização do ensino, com garantia de qualidade na formação de profissionais capacitados para intervir na realidade brasileira, defendendo direitos e executando políticas para combater as desigualdades", ressalta.


Provocativa sim, ofensiva não!
Não é de agora a posição crítica do Conjunto CFESS-CRESS, da ABEPSS e da ENESSO sobre a mercantilização do ensino, que faz com que a educação não seja assegurada como um direito, mas como um produto comercializado no mercado.

Por isso, as posições assumidas na campanha não são individuais, mas resultado de um processo coletivo, fóruns de debate, documentos e manifestações, além de teses e publicações que expressam significativo acúmulo sobre o assunto.

"Nossos posicionamentos políticos não são fundados no desconhecimento e no preconceito, nem são dirigidos aos/às estudantes e trabalhadores/as do Ensino à Distância. Na verdade, a campanha marca nossa discordância com a política brasileira de ensino superior e com a expansão que não garante o acesso democrático ao ensino, tampouco assegura sua qualidade", reforça a presidente eleita da gestão Tempo de Luta e Resistência (2011-2014), Sâmya Rodrigues Ramos.

O Conjunto CFESS-CRESS, a ABEPSS e a ENESSO acreditam que os dados apresentados pelos Conselhos Regionais (CRESS) na pesquisa que dá origem a esta campanha trazem elementos suficientes para sustentar a incompatibilidade do ensino à distância com a formação em Serviço Social. Situação que não permite outra atitude senão o posicionamento contrário a essa modalidade de graduação.

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